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Síndrome do impostor: por que profissionais de sucesso também sentem isso

Foto do escritor: Murilo Comparoni
Murilo Comparoni
10 de set.
3 min de leitura
Homem sério tirando uma mascara sorridente

Você já teve a sensação de que, a qualquer momento, alguém vai descobrir que você "não é tão bom assim" no que faz — mesmo depois de anos de experiência, elogios e resultados concretos? Se sim, você não está sozinho. Esse fenômeno tem nome: síndrome do impostor, e afeta desde estudantes até executivos experientes, médicos e profissionais reconhecidos em suas áreas.

O termo foi descrito pela primeira vez em 1978 pelas psicólogas Pauline Clance e Suzanne Imes, que notaram um padrão entre mulheres de alto desempenho: mesmo diante de conquistas reais, elas atribuíam seu sucesso à sorte, a um erro de avaliação dos outros, ou ao fato de terem "enganado" todo mundo. Décadas depois, sabemos que esse padrão vai muito além do público inicialmente estudado.


O que é a síndrome do impostor, afinal

A síndrome do impostor não é um diagnóstico oficial dentro dos manuais de psiquiatria, mas é amplamente reconhecida clinicamente como um padrão de pensamento que causa sofrimento real. Uma revisão sistemática publicada em 2020 no Journal of General Internal Medicine encontrou taxas de prevalência entre 9% e 82% dependendo do grupo estudado — e mostrou que o fenômeno está presente tanto em homens quanto em mulheres, em diferentes idades e estágios de carreira.

Alguns sinais comuns de quem convive com esse padrão:

  • Atribuir conquistas à sorte, ao timing ou à ajuda de outras pessoas — nunca à própria competência.

  • Medo constante de ser "descoberto" como alguém menos capaz do que aparenta.

  • Dificuldade em aceitar elogios ou reconhecimento profissional.

  • Perfeccionismo excessivo, como forma de compensar a sensação de inadequação.

  • Comparação constante com colegas, sempre concluindo que os outros são mais competentes.


Por que isso acontece mesmo com quem já teve sucesso

Um dos aspectos mais curiosos da síndrome do impostor é que ela não desaparece com mais conquistas — muitas vezes, ela se intensifica. Quanto mais alto alguém sobe na carreira, maior pode ser o medo da queda e da exposição. Isso tem relação com crenças construídas ao longo da vida, muitas vezes desde a infância, sobre o que significa "merecer" reconhecimento e sucesso.

A pesquisa também mostra que esse sofrimento não é apenas desconfortável — ele está associado a ansiedade, depressão e burnout, além de impactar diretamente satisfação e desempenho no trabalho.


Como a terapia ajuda a lidar com a síndrome do impostor

A boa notícia é que esse padrão de pensamento pode ser trabalhado em terapia. O processo terapêutico costuma envolver:

  • Identificar e questionar as crenças por trás da sensação de fraude.

  • Trabalhar a relação da pessoa com erros, elogios e reconhecimento.

  • Reduzir o perfeccionismo que alimenta o ciclo de autossabotagem.

  • Fortalecer uma percepção mais realista das próprias competências, baseada em evidências e não em medo.


Não se trata de "aprender a se gabar" ou fingir uma confiança que não existe, mas de reconstruir, aos poucos, uma relação mais justa com as próprias conquistas.


Se você se identificou com essa sensação de nunca ser "bom o suficiente", mesmo com resultados que provam o contrário, vale conversar com um psicólogo sobre isso. Agende uma consulta e comece a desconstruir esse padrão.


Psicólogo Murilo Comparoni - CRP 06/169658


Bibliografia

CLANCE, Pauline R.; IMES, Suzanne A. The imposter phenomenon in high achieving women: dynamics and therapeutic intervention. Psychotherapy: Theory, Research & Practice, v. 15, n. 3, p. 241-247, 1978.

CLANCE, Pauline R. The impostor phenomenon: overcoming the fear that haunts your success. Atlanta: Peachtree Publishers, 1985.

BRAVATA, Dena M. et al. Prevalence, predictors, and treatment of impostor syndrome: a systematic review. Journal of General Internal Medicine, v. 35, n. 4, p. 1252-1275, 2020.

SAKULKU, Jaruwan; ALEXANDER, James. The impostor phenomenon. International Journal of Behavioral Science, v. 6, n. 1, p. 75-97, 2011.



 
 
 

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